28 de fev de 2009

O Tico-Tico: a primeira revista infanto-juvenil


A revista O Tico Tico, lançada pelo jornalista Luís Bartolomeu de Souza e Silva, foi a primeira a publicar histórias em quadrinhos no Brasil. Sua primeira edição saiu no dia 11 de outubro de 1905, uma quarta-feira e não uma quinta como dizia a capa. O modelo que a Tico Tico seguia era o da revista francesa La Semaine de Suzette, personagem que foi publicada pela revista com o nome de Felismina. Era publicada em dois tipos de papel, com quatro páginas coloridas e as restantes usavam ao invés do preto e branco habitual uma combinação de branco com vermelho, verde ou azul. O primeiro exemplar custava 200 réis e como não havia inflação na época a revista permaneceu com esse preço até a década de 1920.
O personagem mais popular da revista, Chiquinho, era uma cópia não-autorizada de Buster Brown, criado por Richard Felton Outcault. Este fato só veio à tona nos anos 1950, quando o plágio foi denunciado por desenhistas de São Paulo. Quando o personagem Buster Brown deixou de ser editado, sua contra-parte brasileira passou a ser desenhada pelos desenhistas brasileiros Loureiro, A. Rocha, Miguel Hochman, Alfredo Storni e seu filho Osvaldo. A maioria dos desenhos era copiada de revistas francesas, mas assim mesmo a revista revelou talentos nacionais, entre eles o desenhista Angelo Agostini (que desenhou o logotipo da revista).
A revista não teve rival à altura até à década de 1930, quando vários quadrinhos norte-americanos passaram a ser publicados no Brasil. Ela perdeu ainda mais espaço quando começou-se a publicar histórias de super-heróis. A revista começou a não conseguir manter a periodicidade, até que nos anos 1960 começou a lançar apenas almanaques ocasionais e finalmente foi fechada.
Apesar da decadência de seus últimos anos, no geral a revista foi bastante popular, com uma tiragem que variou entre 20 mil e quase 100 mil exemplares, abrangendo várias classes inclusive a intelectual. O político Rui Barbosa foi um de seus leitores, assim como o poeta Carlos Drummond de Andrade.
Elísio Augusto de Medeiros e Silva
Empresário, Escritor, Presidente da Fundação Amigos da Ribeira
elisio@mercomix.com.br

No dia 11 de outubro de 1905, é publicada no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, a primeira revista brasileira de quadrinhos para crianças.
Assim, surgiu o Tico-Tico, naquele distante ano, em que as mudanças se acentuavam entre a população com cinematógrafos, luz nas ruas, vacinas, e as revistas e jornais já circulavam nas bancas.
Iniciava-se o século XX com um novo regime político: a República, e inúmeros acontecimentos brasileiros mereciam as manchetes mundiais.
Porém, até àquela data, não existia nenhuma revista infantil, editada no Brasil, e os livros destinados aos garotos ainda eram importados de Portugal. Anteriormente, em 1898, circulara no Brasil, o Jornal da Infância, uma pequena revista semanal de oito páginas, impressas em preto e branco, contendo lendas, crônicas e poesias. Sua publicação ficou restrita a 20 números.
A revista Tico-Tico veio sete anos depois, e com uma proposta diferente: vinha para durar. E permaneceu por 56 anos, nos lares brasileiros, divertindo e educando.
O seu sucesso deveu-se a uma razão simples: a revista despertou nas crianças o hábito da leitura, e, vale salientar que, na época, a população brasileira era em torno de setenta por cento analfabeta.
A primeira representante duradoura de nossa literatura infantil circulou durante todo o tempo acima citado, apresentando em suas páginas um conteúdo agradável, construtivo e dinâmico, para o público infanto-juvenil.
A tiragem inicial de 10.000 exemplares foi aumentada para 25.000, tornando-se a revista referência cultural no País.
A revista teve importante participação no combate ao analfabetismo, ao alcoolismo, e na implantação do escotismo no Brasil.
Para manter vivas essas ações culturais, precisava obter um “apoio econômico”, e por isso veiculava anúncios em suas páginas.
Na revista o seu conteúdo era variado e tinha uma seção “Gaiola do Tico-Tico”, na qual os leitores enviavam suas fotos e apareciam na revista, sendo cumprimentados por outros leitores.
Era o sonho das famílias da época, ver o rosto de algum ente querido nas páginas do Tico-Tico. Essa seção durou de 1906 a 1920, durante 14 anos.
Outra seção bastante famosa foi “Correspondência do Dr. Sabe-tudo”, que durou 38 anos, de 1910 a 1948, e respondia a questões variadas, formuladas pelos seus leitores.
Havia seções de jogos, contos e passatempos.
Na seção “Teatro de Algibeira”, a revista trazia peças teatrais, com palcos que poderiam ser recortados e agrupados em seqüências diferentes, nas quais os leitores encenavam.
Fazia parte do conteúdo da revista: poesias, partituras e letras musicais.
Em 1911, a primeira obra de Sérgio Buarque de Hollanda estreou na revista, não como um texto, mas, sim, com a partitura de uma valsa, denominada Vitória-régia, que havia sido composta aos nove anos de idade.
As histórias em quadrinhos faziam enorme sucesso na revista, escritas por desenhistas brasileiros, como Augusto Rocha, Paulo Affonso, Miguel Hochman.
Diversos personagens circularam por suas páginas: Teleteco, Reco-reco, Bolão e Azeitona, Bolinha e Bolonha, Kaximboww e Pipoca, Pandareco e Chico Muque.
Durante o período em que circulou, o Tico-Tico arrebatou leitores, como: Olavo Bilac, Rui Barbosa, Tristão de Athayde, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues, Lygia Fagundes Telles, Ziraldo, José Midlin, e outros.
O Tico-Tico deixou de circular em maio de 1962, em virtude do surgimento de novos entretenimentos e novas publicações que saíram, visando a atrair o público infanto-juvenil, por um custo bem menor.
Os jovens queriam revistas novas e baratas, e o Tico-Tico não quis se renovar, preferiu manter-se fiel às primeiras publicações até os últimos exemplares, deixando de circular jovial como quando começou.
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